segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu, Caminhante


Compartilhei uma mensagem no Face ontem, mais especificamente uma frase de Martha Medeiros, que me pareceu bem lógica. Entretanto, quando digo lógica é porque há um vínculo situacional comigo.

Obviamente ela foi escrita dentro de um contexto, como tudo o que pensamos, sentimos, exploramos e colocamos para fora sob forma seja lá do que for.

Primeiramente, não se trata de uma explicação, mas da necessidade de entendimento próprio, do que penso, sinto e, como sempre, gosto de compartilhar. Não que meu sim não possa virar não, ou meu não, um sim. Posso mudar de opinião, reavaliar conceitos, e isso é salutar. Só existe um lugar onde vocês não me encontrarão: em cima do muro, afinal, levo Dante Alighieri e João, do Apocalipse, muito a sério.

Sempre tive comigo a ideia de que o caminho é mais importante do que a partida ou a chegada. Na partida, deixamos. Na chegada, entregamos. A caminho, aprendemos.  Não importa o quê e não importa quantos destinos eu tenha que seguir. Gosto de caminhar.

Nesse caminho aprendo que desviar para esquerda ou para direita não é aceitável. Alto lá! Quem disse? Ei, o caminho é meu. Tenho sensibilidade suficiente para enxergá-lo e para administrar as consequências. Posso parar e descansar? Posso! E devo. Posso retroceder? Posso, também, e o quanto for necessário para sentir-me confortável novamente e prosseguir viagem.

Nesse caminho também aprendo a respeitar e a conviver. Mão inglesa não vale e estamos na Terra Brasilis. Isso me lembra as escadas da Rodoviária de Brasília. Oiê, com licença, posso subir/descer? Obrigada. De nada. Há muitas pessoas indo e vindo. Meu local de partida pode ser o destino de alguém, não é mesmo? São os encontros e desencontros. Bons ou ruins, eles fazem parte, quer queiramos ou não.

Nesse caminho aprendo, inclusive, que talvez aconteçam coisas que me deixem a margem do meu objetivo, que é vivenciar esse trânsito. “Não há vento ou tempestade(s) que te impeçam de voar” é pura e linda poesia. Vejam bem: eu tenho sensibilidade, sou forte dentro da minha força, mas nem todos caminhos que precisarei trilhar, ainda que conhecidos, serão permanentemente seguros. É Flórida, mas é verdade. Tenho o direito de desistir ou posso simplesmente ter que “passar o bastão”, o “anel de bamba”, enfim, precisar de alguém que me suceda. Mas isso não significa que não terei sido intensa ou completado a minha parte, a minha carreira. Fui até onde consegui ou me foi permitido.

Esse caminho também mostrará que nem sempre deixar um legado é sinônimo de ser lembrada(o), ou se preferirem, um não esquecida(o), quer eu chegue ou não aos meus destinos. Deixar a minha marca expressiva e latente não garante subsistência da minha memória nem aos que me são próximos.  Não que sejamos úteis só quando estamos aqui, ou que se trate de desmerecimento sumário. É somente porque a vida segue e isso é mais que natural.

Voltando à frase de Martha Medeiros, ela diz o seguinte: “Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos aonde queremos.”

Percebem a diferença sobre tudo o que disse anteriormente? Pois é. Foi e é situacional. E fases podem durar bastante tempo.

Tenho vivenciado um relacionamento a distância depois de muito tempo sozinha e depois de ter que sair de detrás de muros, principalmente, mentais. Perdi segurança e equilíbrio e confesso que repasso, todas as noites, cada momento usufruído e tento manter esperança de tê-los em maior escala e quantidade.

Trata-se de um momento de estagnação onde, mesmo que eu queira, a intimidade se difere do normal. O diálogo não traz a mesma carga necessária de tranquilidade ou desabafo ante os problemas que, convenhamos, todos temos. A partilha não se desenvolve. O colo não existe, mesmo que eu precise muito. E creiam-me, não tem sido fácil. O transitório não me assusta, mas, sim a inércia que ele pode vir a produzir, seja por acomodação, insegurança ou desconforto. Quase um descaminho.

Estou tentando o caminho para uma relação saudável. Esse é o meu mais novo desafio, depois de muitas situações não legais. Ando, engatinho, ando de novo. Preciso aprender muito mais do que pensei e ter uma paciência de Jacó, principalmente com os dois fatores mais que preponderantes: tempo e distância. Mas está valendo. Não sou tão forte, mas também, não tão fraca.


Por ora, sigo amando. Muito.

Magda Pêgo