quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Temas para a Redação do Concurso da Anvisa - 2016 - Nível Médio





Olá, Pessoal!

Não sou Concurseira, mas gosto da área de regulação, então, vou passar de vez em quando para agregar temáticas possíveis para a Redação do concurso da Anvisa.

Ainda não leu o Edital?? Então veja os itens abaixo, para os detalhes.




Quanto à redação, tudo sempre pode acontecer.

Assista aos Telejornais, dê uma vasculhada no Site da Agência e fique atento(a) às questões críticas.

Um dos itens que acredito ser pouco provável que caia é o fluxo da registro/liberação de medicamentos/empresas para comercialização no país. Mas é importante dar uma olhada.

Nossas dicas de hoje são  cinco:

1) Fosfoetanolamina: Sugiro ler a experiência/esclarecimento  do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da USP. Está bem explicado como isso vem funcionando. Clique: Esclarecimento sobre a Fosfoetanolamina

2) Descarte de medicamentos: Encontrei uma apresentação legal do Nureg/Anvisa. Clique: Resíduos de Medicamentos - Vigilância Sanitária. Saiu uma matéria sobre isso no Bom dia Brasil de hoje, 14/09/2016.

3) Medicamento Fracionado:  RDC n° 80, de 11 de maio de 2006. A resolução é muito clara:

4.3 – “Apenas pode ser fracionado o medicamento a partir da embalagem original fracionável”.

4.4 – “O fracionamento deve ser efetuado de forma a preservar a integridade da embalagem primária e a rastreabilidade do medicamento dispensado na forma fracionada”.

Lembre-se: os medicamentos sujeitos ao controle especial (notificações azul, amarela ou branca) NÃO PODEM SER FRACIONADOS.

Para este assunto no site da Anvisa clique: Perguntas e Respostas

4) Medicamento Genérico:  http://portal.anvisa.gov.br/genericos   e Perguntas e Respostas. Tenso isso. Não gosto muito dos genéricos, mas haja grana para bancar um tratamento.

5) Uso Racional de Medicamentos: Apresentação de Profª Maria Beatriz Cardoso Ferreira (UFRGS) e caderno escolar  Projeto Educação e Promoção da Saúde no Contexto Escolar.

Uma das discussões sobre o uso exagerado de medicamentos que tem muito destaque, é sobre o uso de antimicrobianos, como os antibióticos. Veja:

I. Conceitos gerais: bases teóricas e uso clínico

Por que é tão importante aprender sobre os antimicrobianos?

Os antimicrobianos correspondem a uma classe de fármacos que é consumida freqüentemente em hospitais e na comunidade. Entretanto, são os únicos agentes farmacológicos que não afetam somente aos pacientes que os utilizam, mas também interferem de forma significativa no ambiente hospitalar por alteração da ecologia microbiana.

O conhecimento dos princípios gerais que norteiam o uso de antimicrobianos, assim como das propriedades e características básicas dos antimicrobianos disponíveis, são essenciais para uma escolha terapêutica adequada.

Quais são os principais problemas relacionados à qualidade do uso clínico dos antimicrobianos?
Existem muitos problemas. Conheça alguns:

diversos estudos têm demonstrado que aproximadamente 50% das prescrições médicas de antimicrobianos são feitas de forma inadequada;

o uso excessivo destes fármacos não apenas está associado à emergência e seleção de cepas de bactérias resistentes, mas também a eventos adversos, elevação dos custos e da morbi-mortalidade.



O uso racional de antimicrobianos é uma das metas definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o século XXI.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Lábios que eu beijei - J. Cascata e Leonel Azevedo, por Caetano Veloso



Caros,

O que dizer dessa composição perfeita de J. Cascata e Leonel Azevedo, além de que ela é fantasticamente linda?

Uma poesia maravilhosa aliada a uma melodia incrível.

Confesso que nunca gostei tanto de uma interpretação de Caetano como gosto dessa. Ele foi clássico, galante, com uma impostação vocal deliciosa de ver e ouvir. Foi uma grata surpresa quando ouvi pela primeira vez.

Curte valsa? Ih, foi mal! Mas faça uma tentativa... O mundo da música te pede isso!

No mais, delicie(m)-se...


Magda




Lábios que eu beijei
Mãos que eu afaguei
Numa noite de luar assim
O mar na solidão bramia
E o vento a soluçar pedia
Que fosses sincera para mim

Nada tu ouviste
E logo partiste
Para os braços de outro amor
Eu fiquei chorando
Minha mágoa cantando
Sou a estátua perenal da dor

Passo os dias soluçando com meu pinho
Carpindo a minha dor, sozinho
Sem esperanças de vê-la jamais

Deus, tem compaixão deste infeliz
Por que sofrer assim?
Compadecei-vos dos meus ais

Tua imagem permanece imaculada
Em minha retina cansada
De chorar por teu amor

Lábios que beijei
Mãos que eu afaguei
Volta, dá lenitivo à minha dor




Madrigal Melancólico

postado em 19/7/2010 11:47:38, no Space.
Gosto sempre de postar junto aos textos algo bonito, interessante, em termos de imagem.
Porém, não achei  nada que acompanhasse a intensidade do poema.
Como descrever, sem palavras, tantas motivações para  tamanho apreço? Que imagem consubstanciaria os extremos desejados? Creio que aquele que adora não deseja em parte, pois sabe que não dá para fracionar uma vida, um ser, uma pessoa.
Enfim, que fiquem somente as palavras... Elas são suficientes para dizer o que precisa ser dito.
Abraços,
Magda

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"O que adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.

A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.

O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.

O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida”


(Manuel Bandeira, Madrigal Melancólico. In: Poesia Completa e Prosa / O Ritmo Dissoluto. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 1995, p.189)

Um Poeta Ido: Torquato da Luz (1943-2013)





Mudez
Quando por fim voltares, traz no olhar
a nesga de areal onde algum dia
te encontrei entre a espuma e a maresia,
passeando a surpresa de haver mar.

Traz também nos cabelos o luar
e deixa que o veneno da poesia
nos envenene aos dois em sintonia,
como exige o mistério do lugar.

Talvez assim eu possa finalmente
segredar-te as palavras que não soube
dizer-te no momento em que te vi

pela primeira vez e, de repente,
o mundo foi tão grande que não coube
na minha voz e logo emudeci.




Resíduos - Carlos Drummond de Andrade


(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Relembranças Minhas e a Motivação de Thomas Edison


postado originalmente em 5/7/2010 11:38:17, no Space
No ano de 2008 tomei a séria decisão, por achar que as minhas posses eram parcas, de deixar tudo e seguir o sonho de viver a dois, longe de Brasília.

Em que pese minha vontade de mudar, nada deu certo... Não era a hora, não era a pessoa e não era o lugar... Não era vida de que Deus queria para mim e, pasmem, nem eu mesma queria aquela vida.  

Felizmente, de alguma forma, meu lado otimista, que havia  sido morto, velado e sepultado, renasceu e passei, então, a ficar insatisfeita por não conseguir enxergar qualquer futuro no que estava acontecendo. Viver mais cem anos, daquela forma? Não... Era altamente recusável.

O interessante é como conseguimos forças para virar as costas a quem amamos, mas não temos coragem de fazê-lo a quem nos causa sofrimento. Medo? Talvez.

Felizmente, acordei da minha letargia e pude voltar...

Alguém me disse que eu deixara  "migalhas de pão pelo caminho".  Não. Eu poderia voltar mesmo às cegas... mesmo que tateando... usando todos os meus sentidos, pois estavam todos em alerta.

É maravilhoso poder voltar, recomeçar... Acabamos achando forças mesmo que tenhamos que recomeçar do zero!

Ainda há muito a ser feito, mas cá estamos para isso mesmo... aprender, ensinar, crescer, conquistar...
Não sei se o texto abaixo trata de algo  verídico, pois não pesquisei.

O que quero deixar é que no recomeço os erros são deixados para trás, ficando a oportunidade e o desejo de fazer diferente.

Boa leitura!
************** 
Um exemplo de Otimismo foi demonstrado por Thomas Edison, o gênio inventor e um inveterado Otimista, pela forma como reagiu a um aparente grande infortúnio. 

Numa noite de 1914,seu laboratório, que valia mais de US$ 2 milhões na época e não estava no seguro, começou a se incendiar, com todos os preciosos registros de Edison em seu interior. 

No auge do incêndio, enquanto os bombeiros tentavam apagar o fogo, charles, filho de Edison, freneticamente procurava o Pai, que tinha o hábito de trabalhar até tarde da noite. 

Aliviado, ele encontrou Edison fora do laboratório, fitando serenamente a cena. 

O Semblante de seu pai refletia o brilho das chamas e seus cabelos grisalhos esvoaçavam ao sabor da leve brisa. 

Charles sentiu um aperto no coração vendo o pai, com 67 anos, testemunhar o trabalho de toda uma vida ser consumido pelas cinzas. 

Após horas de silêncio. Edison disse a seu filho: 

“Existe um grande valor num desastre como este. Todos os nossos erros são queimados. Graças a Deus e podemos começar tudo de novo”. 

E Edison, de fato, começou de novo. 

Até o incêndio ele tinha passado três anos tentando inventar o toca-discos. 

Três semanas após o desastre ele conseguiu.  

Pacto - Maria Esther Maciel



Daquele que amo
quero o nome, a fome
e a memória. 
Quero o agora. 
O dentro e o fora,
o passado e o futuro.
Quero tudo: o que falta
e o que sobra
o óbvio e o absurdo.




Aprendizado - Ferreira Gullar


Do mesmo modo que te abriste à alegria
           abre-te agora ao sofrimento
           que é fruto dela
           e seu avesso ardente. 

Do mesmo modo
           que da alegria foste
                            ao fundo
           e te perdeste nela
                            e te achaste
                            nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
                      em tua carne vaporize
                      toda ilusão 

que a vida só consome
o que a alimenta.
          

Ferreira Gullar, De Barulhos (1980-1987)


O medo de Amar



Medo de amar? 

Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê. 

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade. 

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro. 

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos. 

Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.



Quer cantar sobre? clique Elis Regina - O Medo de Amar 



Grupo Logos - Portas Abertas



Essa é uma das canções mais lindas que já ouvi, cantei e compartilhei.

A última vez que vi o Logos  foi na Segunda do Plano Piloto. Foi lindo recordar, cantar junto, e principalmente entender o quanto que o bom, o belo,  marcam as nossas de vidas com tal profundidade, indescritível e indiscutível, mais que outras coisas e eventos. 


Não vivo de passado, mas o passado bom merece ser relembrado.


Leonid Kogan - Paganini - Nel cor più non mi sento (HD)




Música: a Linguagem Universal!

Dentro dessa universalidade tenho, eu,  minhas preferências, e prefiro as cordas. Prefiro, não, AMO! 

Para as explicações quanto à Física, clique A física nos instrumentos musicais.


Para biografia de alguém que sabia o que fazer um violino, clique Leonid Kogan.



sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Destino Mineral







Quando a inspiração vem de qualquer parte...
Boa leitura!

Sou feita de uma carne perecível
futuro de outra carne, sem nenhuma
eternidade. A rocha é uma invencível
parte da terra; que ela me resuma

no seu mesmo destino mineral.
A solidez ausente que tortura
nossa matéria frágil, no final
se renderá: serei de pedra dura.

Nunca mais chorarei nessa passagem
de poesia. Com nítida certeza,
recorto nas montanhas minha imagem

mais que raiz, expressa na beleza.
Pela terra em que não me desfiguro,
hei de surgir um dia em cristal puro.
    



Sonho Impossível -J. Darion – M. Leigh, versão de Chico Buarque e Ruy Guerra


Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz

E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.


(J. Darion – M. Leigh, versão de Chico Buarque e Ruy Guerra)


Quer ouvir Betânia? Clique: https://www.youtube.com/watch?v=FqWmTwtNjSs