sexta-feira, 26 de julho de 2013

São Tuas



Postado originalmente em 10/6/2010 12:47:20, no Space.


Não espero nada de ti!
Nem que me ames perdidamente...
Conformo-me, neste meu existir,
vivo por te amar somente!

São tuas as flores todas que vejo,
o perfume da noite com chuva miúda!
O pensamento olhando a doçura dos beijos
de um casal dividindo o guarda-chuva!

São tuas as aves vadias,
a lua que dorme na amplidão...
A saudade que em mim permeia,
trazida na lembrança de qualquer canção!

São tuas, sempre tuas, as belezas que 
a vida me traz...
A leveza do vento na calmaria,
em céu de toda alegria,
balançando um campo de trigais!

São tuas as crianças...
A enfeitarem de gritos toda rua!
São teus os velhos que ainda seguem
apaixonados, exemplos de amor além
sepultura...

São tuas as neves branquinhas,
que cobrem os telhados nas colinas...
As fendas no desgelo com regatos
a correrem com suas águas cristalinas!

São tuas as belezas que vejo,
do mar que leva os pescadores!
Dos penhascos que recebem os ninhos,
que abrigam o reino dos condores...

São tuas as mãos que acariciam
o ventre que leva o filho esperado!
As lágrimas incontidas daquela que abre
a porta e recebe o filho formado...

São teus os ritmos,
que inspiram as espumas dançantes...
O baile, suave e marítimo,
das ondas nas praias errantes!

Tudo de belo que vejo é teu!
Nada quero, por isto, em meu viver.
Amo-te apenas, embora tu tenhas te esquecido...
"Eu quem me esqueci de te esquecer!"


José Geraldo Martinez



Felicidade Realista

 

Postado originalmente em 24/2/2010 11:41:36, no Space.

"A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça de que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade..."

Mário Quintana

quinta-feira, 25 de julho de 2013

PENSAMENTO




***

Penso, penso

E, de tão penso,

Quase caio em mim.

Oro, oro,

Ora, a hora

Passa sem chegar.

Chamo, chamo

E acende a chama

Que me faz pensar.

Paulo Breno

***


A FOME DO PRIMEIRO GRITO




Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água desejasse.

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.

Entendo que sou terra.
Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez
e mais atento.

Hilda Hilst


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Para que serve uma relação?



Postado em 9/7/2010 14:28:00, ainda no Space.
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    Como disse anteriormente, estes textos sobre relacionamentos não pretendem esgotar o assunto, mas, sem dúvida alguma, são importantes para nos fazer pensar se temos algo a aprender ou a relembrar.

    Gostei da referência à simplicidade do cotidiano, pois serve para abstrair a imagem de que viver um relacionamento, qualquer que seja ele, é fácil. Nunca foi, não é e aqui neste mundo, jamais será! "Simples" assim!

   É um exercício de zelo, paciência, partilha e respeito que convergem para o AMOR, e tudo de forma NATURAL, sabendo-se o porquê das ações e concessões. Detalhe: quando falo em naturalidade quero dizer algo não-sacrificial, algo que sabemos ser necessário para conduzir o processo e que não deveria, em tese, nos fazer sofrer.

   Dois "poréns": 1) não dá para fazer tudo isso se não houver um mínimo de contrapartida e 2) nem todos estão aptos a receber o que temos a dar.

   Boa leitura!

   Magda
- -
"Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil".

Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido.

Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração. Uma armadilha.

Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

Dr. Drauzio Varela

Imagem: Adão e Eva, por William Blake (Londres, 28 de novembro de 1757 — Londres, 12 de agosto de 1827).Poeta, pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica, e tipógrafo.

Martha Medeiros (Gerações?)



Minha
bisavó
reclamava
que minha avó
era muito tímida.
minha
avó
pressionou minha mãe
a ser menos cética.
minha
mãe
me educou
para ser bem lúcida
e, eu espero que
minhas
filhas
fujam desse cárcere
que é passar a vida
transferindo
dívidas.

(Martha Medeiros)


Com verso e sem Prosa

Poemeto postado em 4/12/2009 8:09:26, ainda no Space.

* * *
 
Maria Antonieta, fez o seu deboche
A quem não tem pão sugerindo brioche
Foi tanta a desfeita que foi sua sina
Perder a cabeça na guilhotina

 
Dos tempos de outrora aos dias de agora
Pouca coisa muda, não é, seu Arruda?
Mas se tem panetone, que a gente adora
Vem no embrulho da Caixa de Pandora.
(Paulo Breno)


* * *

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Curly Sue (Hino do Estados Unidos)


 
Sabem, gosto muito da melodia Hino dos Estados Unidos, por isso, nunca aprendi mais do que o lá-lá-lá-lá-lá.
 
Inspirada pelo dia, ouvi algumas interpretações do dito.
 
É de assustar. Excessos e mais excessos. Tudo bem que existe emoção, mas, combinemos!
 
Por isso fico com a simplicidade de uma interpretação: Alisan Porter, no papel de Curly Sue (A Malandrinha). Ela mandou muito bem!
 
Menos, ainda é mais...
 
 



terça-feira, 2 de julho de 2013

LUCIDEZ III

 

  "Há sempre alguma loucura no amor.
Mas há sempre um pouco de razão na loucura."

Friedrich Nietzsche