domingo, 5 de dezembro de 2010

TEXTOS SOBRE MORNIDÃO E AFINS...



- I -

“Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos,um livro mais ou menos.
Tudo perda de tempo.
Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.”

(Martha Medeiros, trecho de “O Divã”)

- II -

(...) “Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma”. (...)

(Clarice Liscpetor, “Minhas Queridas”)


- III -

“Os lugares mais quentes do inferno foram reservados para aqueles que, em momentos de crise, mantêm a sua neutralidade.”

(Dante Alighieri)


- IV -

“Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca”.

(Apocalipse 3:16)


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NEM TUDO É FÁCIL

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.

É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.

É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.

É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.

É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.

É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.

É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.

É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.

Se você errou, peça desculpas…
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o…
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, diga…
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça…
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o…
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida… Mas, com certeza, nada é impossível.Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos todos esses desejos, realidade!!!

Cecília Meireles

A imagem é só para meditar... aiai...



terça-feira, 23 de novembro de 2010

AQUILO QUE DÁ NO CORAÇÃO


Conheço e curto pouco do Lenine, mas canção "Aquilo Que Dá No Coração" tema de abertura da novela Passione é fantástica.

Sinta a letra! Poesia pura!!!






Aquilo que dá no coração
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pêlo da nuca
Aquilo reage em cadeia
Incendeia
 
o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro

Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador 
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar 

Aquilo bate, ilumina
Invade a retina
Retém no olhar 
O lance que laça na hora 
Aqui e agora, 
Futuro não há 
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode 
Pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece
Não poupa ninguém

Avassalador...

Avassalador 
Chega sem avisar
Arrebatador 
Vem de qualquer lugar
Aquilo que dá no coração 
Que faz perder o ar e a razão
Aquilo reage 
em cadeia 
Incendeia


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A GENTE SE ACOSTUMA




Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.

A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.

Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colassanti

NÃO SEI



Não sei... se a vida é curta...
Não sei...
Não sei...
se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.

(Cora)

sábado, 13 de novembro de 2010

PERTENCER


Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso é, por exemplo, que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos. 
          
 Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe, sôfrego, os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.

Clarice Lispector (A descoberta do Mundo) 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O PRÍNCIPE DO EGITO



Como muitos sabem, sou fã de desenhos, animações, etc, em especial, do filme "O Príncipe do Egito", principalmente pela trilha sonora assinada por Hans Zimmer, que é responsável, também, pelas trilhas de "O Rei Leão", "Rain Man", "Um Anjo em Minha Vida", "Melhor Impossível", "Além da Linha Vermelha", "Gladiador" e "Sherlock Holmes", entre outros.
Escolhi a canção "Deliver Us",  com a participação de Ofra Haza.
Espero que gostem...

Magda



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

CLANDESTINO




CLANDESTINO

Aí vou eu onde vives
andar pela tua rua
ver a lua que tu vês
o teu mar a tua praia
conhecer cada nervura
entranhada no endereço
depois volto para casa
e de ti que me esqueceste
saberei cada detalhe
cada pedaço fatia
que por desamor um dia
tu teimaste em me esconder


💖  Líria Porto  💖
http://liriaporto.blogspot.com.br/

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

POR QUE AS PESSOAS ENTRAM NA SUA VIDA



Aos Meus Amigos!!!!

*****
Pessoas entram na sua vida por uma “Razão”, uma “Estação” ou uma “Vida Inteira”.
Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada pessoa.

Quando alguém está em sua vida por uma “Razão”… é, geralmente, para suprir uma necessidade que você demonstrou. Elas vêm para auxiliá-lo numa dificuldade, te fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física, emocional ou espiritualmente. Elas poderão parecer como uma dádiva de Deus, e são! Elas estão lá pela razão que você precisa que eles estejam lá. Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim. Ás vezes, essas pessoas morrem. Ás vezes, eles simplesmente se vão. Ás vezes, eles agem e te forçam a tomar uma posição. O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho delas, feito. As suas orações foram atendidas. E agora é tempo de ir.

Quando pessoas entram em nossas vidas por uma “Estação”, é porque chegou sua vez de dividir, crescer e aprender. Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir. Elas poderão ensiná-lo algo que você nunca fez. Elas, geralmente, te dão uma quantidade enorme de prazer… Acredite! É real! Mas somente por uma “Estação”.

Relacionamentos de uma “Vida Inteira” te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida. Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida. É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente. Obrigado por ser parte da minha vida.

Pare aqui e simplesmente SORRIA.

“Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro,  Ame como se você nunca tivesse sido magoado, e dance como se ninguém estivesse te observando.”,

“O maior risco da vida é não fazer  NADA.”

Martha Medeiros


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

DAS COISAS QUE AMO VISCERALMENTE - How Do I Love Thee? (Sonnet 43)

Sempre me vanglorio da minha memória, apesar de ser mais visual do que auditiva.

As coisas boas que vejo, que ouço, no máximo, são um pouco arrefecidas pelo tempo, mas nunca saem da minha cabeça.

Um exemplo disso é este poema, simplesmente maravilhoso, declamado por Lalinha, a personagem de Gloria Menezes na novela 'Páginas da Vida' (é, aquela da mesa de jantar enoooooooooooooooorme!).

E como o bom e o belo precisam ser compartilhados, emocionem-se, assistindo ao vídeo, ou, simplesmente, lendo!

  Picture of Elizabeth Barrett Browning, poet and author of Sonnets from the Portugese poet; nineteenth century British Literature / English Literature and poetry
Elizabeth Barrett Browning,
 by William Charles Ross.


Amo-te quando em largo, alto e profundo
Minha alma alcança quando, transportada
Sente, alongando os olhos deste mundo
Os fins do ser, a graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
à luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não podem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas,
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
e a fé da minha infância, ingênua e forte.


Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.

*


How do I love thee? Let me count the ways. 

I love thee to the depth and breadth and height 
My soul can reach, when feeling out of sight 
For the ends of Being and ideal Grace.


I love thee to the level of every day's 

Most quiet need, by sun and candlelight. 
I love thee freely, as men strive for Right; 
I love thee purely, as they turn from Praise.

I love with a passion put to use 

In my old griefs, and with my childhood's faith. 
I love thee with a love I seemed to lose.

With my lost saints, -- I love thee with the breath, 

Smiles, tears, of all my life! -- and, if God choose, 
I shall but love thee better after death.       

  
Elizabeth B. Browning


Biografia:



 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

UP - ALTAS AVENTURAS


Olá, Caríssimos!

Algumas pessoas já sabem que tenho um enorme apreço pelo nome "Ellie".

Trata-se de  personagem do Filme UP - Altas Aventuras, uma das minhas fontes de inspiração (por vários motivos), tendo sido nome do meu blog no Space Live e, agora, neste. 

Por isso, sempre haverá alguma cena do filme no título.

Não é um conto de fadas, e também não considero uma história de amor. É mais que isso. É uma história de vida a dois, bem vivida, com direito a alegrias, problemas, sonhos, frustrações e perdas. Nada que não exista fora das telonas e que não conheçamos bem de perto.

O filme é lindo e vale o tempo dedicado a assisti-lo.

Para quem já curtiu, reveja algumas imagens da relação de Carl & Ellie  acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=9yjAFMNkCDo

Abraço a todos!!!

Magda


Ps: A propósito, o Violet, é por causa do filme Ultra-Violet.  Idéia de um dos meus amigos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A ARTE DE SER FELIZ

“Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas, todas as manhãs, vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lopez de Vega. Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."


 
Cecília Meireles


 


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

TENTATIVA NOBRE I - DEU CERTO!!




segunda-feira, 4 de outubro de 2010
TENTATIVA NOBRE I - DEU CERTO!!


Prezados Leitores,
Nada como a rede para fazer descobertas ou complementar informações.
O post está tendo o seu nome modificado pois agora sabemos o autor do poema, seu título e complemento!
Ah, também retirei os artigos antes de "poder", pois eles inexistem.
Mais detalhes? Vide "Comentários".
Boa nova leitura!

 * * *
Poesias divulgadas nos ônibus do sistema de transporte urbano de Brasília, na década de 90.
De quem são? Não tenho a mínima idéia. Se alguém souber, me avise para eu colocar os créditos!


* * *

   ESPORAS TILINTAM
 
Esporas tilintam,
Faíscam no chão de pedra.
Homens reverenciam  poder.
Poder passa,
Homens tiram o chapéu,
Poder tira as cabeças.
 Galopo, quando quero.
Troto, quando interessa.
Passeio, se me apraz.
Rédeas soltas, rédeas presas,
Pêlo de prata,
Brioso.
Escolho rumo.
Escolho companhia.
Quando triste,
Olho o céu...
Se chove,
Levanto a cabeça,
Abro a boca,
Bebo aguardente.

* * *
 Carlos Alberto Abel


TENTATIVA NOBRE II


Sabe quem escreveu essa maravilha singela e forte?
li em um ônibus em Brasília, na década de 90.
Nos conte, por favor!!"

- II -

Libélula
Bela
Era
Fera
Era
Bela
Fêmea
Efêmera

***

A NOIVA CADÁVER

Sou fã do Tim Burton há muito tempo e cada vez que revejo os seus trabalhos fico encantada, pois é muita critividade.
Deixo os votos ditos por Victor a  Emily, que são realmente lindos, e
o duo ao piano.

"Com esta mão espantarei suas tristezas,
Sua taça jamais ficará vazia, pois eu serei seu vinho,
Com esta vela, iluminarei seu caminho na escuridão,
Com esta aliança eu lhe peço que sejas minha."

 

video

sábado, 2 de outubro de 2010

SE TU SOUBESSES - Alberto de Deus Nunes

(clique na imagem, para seus detalhes)


Se tu soubesses, ó minha deidade,
Do que se passa pelos corações
Dos moços que não tem felicidade
Talvez sentisses minhas aflições...

Se tu soubesses que em meu peito invade
Um pranto enorme de desilusões,
Talvez tivesses de mim piedade
E me sorrissem tuas afeições...

Ai, do poeta assim desventurado
Que tanto ama e nunca foi amado!
Ai, do vivente que for como eu...

Se tu soubesses deste amor, querida,
Talvez me desses toda tua vida,
Porque sou teu, inteiramente teu!

Alberto de Deus Nunes


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Eclesiastes 3:1-8

Em relação ao tempo?
Sem comentários!
***
"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. "

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

ABISSAL


É um espetáculo este poema.
Tratar das diferenças, da  coragem e da sobrevivência humanas, ao mesmo tempo, e fazendo analogia com os abissais, foi uma ideia ímpar.
Espero que gostem da leitura.
*****
Não sou peixe de superfície, de águas claras.
Peixes brilhantes, quase à luz do sol.
Peixes de escamas, de luz espalhada,
de cor espelhada, como óculos modernos.

Não sou peixe que pula à tona, à toa,
soltando gritinhos pros barcos que passam,
pros transatlânticos imunes.

Sou peixe que mergulha fundo,
pros territórios abissais,
pro escuro da pressão deformante.

Sou peixe feio, sozinho,
nas lacunas dos infernos marítimos,
de subvoadores.

Sou peixe amorfo, nu,
sem cor definida, vago,
na profunda imensidão do mar,
onde me perco: eterno infinito.

Rochas e sombras.
Algas obtusas, cavalos daninhos,
ostras crocantes
e tubarões de olhos grandes e assassinos.

Sou peixe enterrado nas esferas do habitat maior,
onde a sobrevivência causa pânico,
até aos pescadores.

Sou peixe magro, de barriga grande
e de visão presa, dura, no perigo.

Sou peixe inquilino da vida,
do grande sonho de viver.

Joca de Oliveira

quer ouvir? Clique:  Declamado


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MINHAS QUERIDAS (trecho)



Vira e mexe leio isso. Julgo Clarice uma inspiração. Hoje é o dia... 22 de dezembro de 2016. Hoje é dia de Clarice... de novo...

Só sei de uma coisa, com toda a certeza: Comodidade nunca foi meu forte. Morna, nem a água do meu banho. Castração da lógica do cotidiano me deixa mais roxa que uma pancada na quina da mesa ou um soco no olho. Angustiante e exasperador.

MORNIDÃO não faz bem, então: 1) Se tiver escolhido ir, vá fundo; 2) Pare de molhar as pontas dos dedos e mergulhe (de corpo e alma). Se não souber nadar, aprenda; e 3) respeite suas próprias vontades. Só tome o cuidado de não invadir o território alheio.

E antes que alguém diga algo, não são conselhos. São compartilhamentos. Quando escrevo, escrevo para mim, ou como disse um amigo, para exorcizar os meus infernos e/ou os meus fantasmas. Fico brava, choro, odeio meio mundo. Depois me acalmo, tomo a decisão que preciso, e a vida segue,  tão certo como o sol se põe, a chuva cai, a terra gira em torno do seu próprio eixo e dá aquela  "giradinha básica" se mostrando para o sol em uma velocidade média de 107.000 km/h. Sou somente um pingo numa letra "i"...

Magda

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Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro… 

Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu…

Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. 

Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. 

Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. 

Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma.” 


Clarice Lispector (trecho do livro "Minhas Queridas")
)


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Atualizado em 22dez2016,11h35